

O que é brincar?
Brincar é a atividade mais típica da vida humana, por proporcionar alegria, liberdade e contentamento. É a ação que a criança desempenha ao concretizar a fantasia e a imaginação no mundo real. Segundo o dicionário de língua portuguesa o termo brincar significa “divertir-se; folgar; não levar a sério. Verbo transitivo: adornar; zombar; gracejar.” (FERREIRA, 2001, P. 152).
Brincar é, sem dúvida, um meio pelo qual os seres humanos exploram uma variedade de experiências em diferentes situações para diversos propósitos. A criança desenvolve várias habilidades, descobre, inventa, exercita, estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança através do brincar.
O JOGO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O Brincar e o jogar para a criança são como o trabalho para o adulto, ou seja, coisa séria. Assim, a criança quando envolve-se em brincadeiras e no jogo faz deles sua principal atividade, reproduzindo vivências e expressando seus sentimentos através de atos ou atitudes.
O jogo tem um papel muito importante nas áreas de estimulação da Educação Infantil. É uma das formas mais naturais da criança entrar em contato com a realidade, tendo o jogo simbólico um papel especial. É também uma característica do comportamento infantil e a criança destina a maior parte do tempo a ele.
ATIVIDADE LÚDICA
A atividade lúdida favorece na criança o desenvolvimento de suas habilidades físicas e intelectuais, proporcionando alegria de entender a escola como um espaço, acima de tudo, prazeroso.
Na atividade lúdica, a criança participa de jogos e brincadeiras variadas, de uma forma livre, divertida e prazerosa através da motivação e entusiasmo que o professor transmite
O LÚDICO NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR
O processo de formação do professor está cada vez mais dependente de novos conhecimentos, passando por transformações que possam compreender com mais detalhes as necessidades e interesses das crianças em seu contexto escolar
e aos seus alunos.
Contribuições de alguns psicanalistas sobre o brincar:
Conforme Freud (apud ANTUNES, 2003), o brincar é o mais saudável caminho para canalizar energia, construindo-se processos de sublimação saudáveis e identificadores. A tarefa, pois, de uma boa educação infantil seria a de propiciar, através de brincadeiras, o afeto e a sociabilidade, dando voz aos sonhos infantis. A criança que de maneira saudável brinca e se realiza nos seus brinquedos está se distanciando de torturas psíquicas possíveis e de neuroses que sempre se guardará.
Melanie Klein: Observou que o brincar da criança poderia representar simbolicamente suas ansiedades e fantasias e, visto que não se pode exigir de uma criança pequena que faça associações livres, tratou o brincar como equivalente a expressões verbais, isto é, como expressão simbólica de seus conflitos inconscientes. Também, notou que as brincadeiras das crianças e seus jogos, as histórias, as encenações que inventavam, os desenhos que fazem, tudo enfim podia ser visto e escutado como se fosse o falar do adulto.
Donald Winnicott relaciona o brincar criativo das crianças com a capacidade de concentração do adulto. O Tema do brincar tem relação direta com o da criação da externalidade do mundo. Basta lembrar que, inicialmente, a mãe é um objeto subjetivo para o bebê e é por meio de um longo e complexo processo que ela se tornará um objeto da realidade compartilhada.
Traz a importância da apresentação do mundo pela mãe: “ a mãe no começo propicia ao bebê a oportunidade da ilusão de que o seio dela faz parte do bebê, de que está, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê. É a ilusão que permite a criação do objeto subjetivo à capacidade de conceber e ao desenvolvimento do uso da capacidade imaginativa.
Traz a idéia do objeto transicional, objeto que substitui a mãe e que faz com que o bebê suporte de forma simbólica a ansiedade da perda real mesmo que temporária. Faz perceber e separar aos poucos o que é real e o que é ilusão.
Outros teóricos:
Piaget (1976) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. Estas não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Ele afirma:
O jogo é portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil.( Piaget 1976, p.160).
Vygotsky (1998), um dos representantes mais importantes da psicologia histórico-cultural, partiu do princípio que o sujeito se constitui nas relações com os outros, por meio de atividades caracteristicamente humanas, que são mediadas por ferramentas técnicas e semióticas. Nesta perspectiva, a brincadeira infantil assume uma posição privilegiada para a análise do processo de constituição do sujeito; rompendo com a visão tradicional de que ela é atividade natural de satisfação de instintos infantis, o autor apresenta o brincar como uma atividade em que, tanto os significados social e historicamente produzidos são construídos, quanto novos podem ali emergir. A brincadeira e o jogo de faz-de-conta seriam considerados como espaços de construção de conhecimentos pelas crianças, na medida em que os significados que ali transitam são apropriados por elas de forma específica.
O brincar relaciona-se ainda com a aprendizagem. Brincar é aprender; na brincadeira, reside a base daquilo que, mais tarde, permitirá à criança aprendizagens mais elaboradas. O lúdico torna-se, assim, uma proposta educacional para o enfrentamento das dificuldades no processo ensino-aprendizagem.
Aberastury (1972) complementa enfatizando que a brincadeira infantil é um meio de pôr para fora os medos, as angústias e os problemas que a criança enfrentou. Por meio do brinquedo, ela revive de maneira ativa tudo o que sofreu de maneira passiva, modificando um final que lhe foi penoso, consentindo relações que seriam proibidas na vida real.
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